Coordenadora da APACO recebeu, em nome das famílias e entidades beneficiadas, um troféu de reconhecimento pelas atividades realizadas

Muito antes de chegarem aos laboratórios, as plantas medicinais já faziam parte do cuidado com a saúde de diferentes povos e comunidades. Hoje, os fitoterápicos unem esse conhecimento tradicional à ciência, ampliando o acesso a tratamentos seguros e, ao mesmo tempo, incentivando a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável. Foi nesse contexto que o Projeto Fitoterápicos BRA/18/G31 atuou em diversas regiões do Brasil. No Oeste Catarinense, a Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense (APACO) liderou ações que fortaleceram agricultores familiares, comunidades indígenas e a produção agroecológica de plantas medicinais, consolidando um importante legado para a bioeconomia regional.
As atividades iniciaram em 2023 e seguiram até o início deste ano. No início deste mês, o projeto reuniu as entidades para finalização e presenteou-as com um troféu de reconhecimento. Ao longo da execução do projeto, a APACO promoveu assistência técnica, capacitações, oficinas e atividades voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva das plantas medicinais. O trabalho também estimulou o cultivo agroecológico, o beneficiamento da produção e a agregação de valor por meio da produção de óleos essenciais, hidrolatos e outros produtos das plantas medicinais.
Essa iniciativa conjunta foi do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com financiamento do Global Environment Facility (GEF). As ações do projeto tiveram investimento de R$274 mil junto a APACO.
Resultados concretos
Entre os principais resultados estão o atendimento direto a 40 mulheres agricultoras familiares, a implantação de aproximadamente cinco mil mudas de plantas medicinais, a realização de 168 visitas de assistência técnica, 36 oficinas de formação e 75 reuniões com agricultores e parceiros.
O projeto ainda contribuiu para a implantação de estruturas produtivas, como destiladores de óleos essenciais. Os equipamentos foram destinados à Associação Nacional de Fitoterapeutas, Psicanalistas e Produtores de Florais Populares, Tradicionais e Culturais do Brasil (ANAFIP – Seara), à Associação Pitanga Rosa e à Casa de Ervas do Toldo Indígena Chimbangue, em Chapecó. A coordenadora da APACO, Diva Vani Deitos, destaca que o principal legado do projeto está nas pessoas e nas redes construídas durante sua execução.
“O Projeto Fitoterápicos mostrou que a biodiversidade pode gerar desenvolvimento quando está aliada ao conhecimento, à organização das comunidades e ao respeito pelos saberes tradicionais. Mais do que apoiar a produção de plantas medicinais, conseguimos fortalecer famílias agricultoras, incentivar o protagonismo das comunidades indígenas, promover a troca de experiências e ampliar as oportunidades de geração de renda por meio da agroecologia”, enfatiza.
Biodiversidade como patrimônio
O encerramento do projeto, conforme Diva, não representa o fim do trabalho desenvolvido. “Os investimentos em infraestrutura, a formação das famílias, o conhecimento compartilhado e as redes construídas permanecem. O legado que fica é a valorização da biodiversidade como patrimônio, da agroecologia como modelo de produção e das pessoas que mantêm vivos esses conhecimentos. Esse é um caminho que continuará sendo fortalecido pela APACO”, afirma a coordenadora.
Foto: APACO/Divulgação