Acompanhamento realizado pela Apaco leva orientação às propriedades, amplia conhecimentos e contribui para decisões que fortalecem a produção

É dentro da propriedade, observando a produção, conversando com a família e entendendo os desafios enfrentados no dia a dia, que a assistência técnica ganha sentido. Em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina, esse acompanhamento faz parte da rotina da família Marcante, atendida pela Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense (Apaco) nas ações desenvolvidas pelo Projeto Ecoforte Redes. As ações do projeto atendem 540 famílias do Sul do Brasil, em 47 localidades.
Na propriedade, o casal Valdecir e Marli iniciou a produção de orgânicos. Com eles, os filhos Rudimar e Roberto, junto de suas famílias, estão no processo de sucessão familiar e dão continuidade, especialmente, à produção orgânica de alimentos. “Nós saímos da cidade e voltamos ao campo com esse objetivo de plantar um alimento saudável para nossa família e para outras. Agora, meus filhos irão manter a propriedade”, descreve Valdecir.
Além de receber acompanhamento técnico na propriedade, a família participa do grupo de agroecologia de Nova Itaberaba. Os encontros e as visitas, acompanhados por técnicas da Apaco formadas em agroecologia, possibilitam compartilhar experiências, discutir dificuldades e ampliar conhecimentos relacionados à realidade da produção.
Conhecimento construído dentro da propriedade
Para a engenheira agrônoma e técnica da Apaco, Lucilene de Abreu, um dos principais diferenciais da assistência técnica está justamente na proximidade com as famílias e na possibilidade de construir conhecimento a partir da realidade encontrada em cada propriedade.
“O acompanhamento técnico permite conhecer de perto a realidade da família, entender as dificuldades e, a partir disso, compartilhar informações que possam contribuir para melhorar a propriedade e ampliar o conhecimento dos agricultores. Não se trata apenas de levar uma orientação pronta, mas de conversar, observar e construir alternativas junto com quem está todos os dias no campo”, destaca Lucilene.
Essa troca também reconhece um conhecimento que já existe. Agricultores e agricultoras acumulam experiências sobre a terra, o cultivo, as plantas, os animais e as particularidades de cada propriedade. A assistência técnica soma novos conhecimentos a esses saberes e auxilia as famílias na avaliação de possibilidades e na tomada de decisões.
Para o casal Rudimar e Cintia, a principal missão é oferecer um alimento de qualidade. Parte do que a família produz é destinada ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do município. “Quando eu penso que estamos plantando para entregar às crianças, para que elas possam estar com o organismo forte por se alimentarem com alimentos orgânicos, isso é muito importante”, descreve Cintia.
Ela enfatiza que, desde que passou a estudar sobre esses alimentos, compreendeu ainda mais sua importância e os benefícios para a saúde das pessoas e para o planeta. “Eu sonho com um mundo, um futuro onde todos tenham acesso à alimentação orgânica”, afirma a agricultora.
Assistência técnica e agroecologia
O trabalho desenvolvido em Nova Itaberaba integra as ações acompanhadas pela Apaco no âmbito do Projeto Ecoforte, que atua junto às famílias agricultoras e organizações da região com iniciativas relacionadas ao fortalecimento da agricultura familiar.
Mais do que uma visita pontual, o acompanhamento permite estabelecer uma relação de continuidade com as famílias. A presença dos técnicos nas propriedades ajuda a identificar demandas, compartilhar conhecimentos e acompanhar processos que precisam de tempo para apresentar resultados.
Para Lucilene, essa continuidade também fortalece a autonomia das famílias. “Quando o agricultor amplia seu conhecimento, ele também passa a ter mais elementos para avaliar a própria produção e tomar decisões. Nosso papel é estar próximo, contribuir tecnicamente e também aprender com toda a experiência que existe dentro de cada propriedade”, afirma.
Foto: Filó Comunicação/ Divulgação