Iniciativa marcou a conclusão do programa De Olho na Qualidade, realizado em parceria com a Cooperoeste

Cerca de 60 quilos de lixo foram recolhidos em um trecho de 300 metros de cada margem da BR-282, no acesso ao município de Paraíso, no extremo-oeste catarinense. A ação foi realizada por produtores rurais de São Miguel do Oeste que participaram do programa De Olho na Qualidade, desenvolvido pelo Sebrae/SC em parceria com a Cooperoeste.
A iniciativa surgiu como uma forma de levar para fora das propriedades os conceitos trabalhados durante o programa, que envolveu 12 empresas rurais entre fevereiro e junho deste ano. Segundo o educador do Sebrae/SC João Batista Schneiders, o De Olho teve como objetivo proporcionar melhorias na organização, na qualidade de vida e na gestão das propriedades, estimulando mudanças nos aspectos ambientais, sociais e econômicos.
O programa foi dividido em seis encontros presenciais, atividades práticas e três consultorias em cada propriedade. A metodologia abordou organização, limpeza, segurança, gestão e melhoria dos ambientes, além de estimular a participação das famílias nas decisões e na rotina das propriedades. Também foram realizados conteúdos com profissionais convidados, incluindo temas relacionados à atividade leiteira, considerando a atuação da Cooperoeste no setor de lácteos. “Foi a partir dessa mudança de percepção que surgiu a ideia de realizar a ação na rodovia”, explica Schneiders.
Para o produtor rural Paulo de Conto, participante do programa, a experiência mostrou que a preocupação com qualidade e organização pode ultrapassar os limites da propriedade. “Colocamos como meta dentro do nosso grupo fazer uma ação em prol da natureza e conscientizar a sociedade, principalmente os motoristas”, destaca.
Entre os materiais encontrados às margens da BR-282 estavam latas, garrafas, sacolas plásticas e outros resíduos descartados pelos usuários da rodovia. Para De Conto, o problema vai além do aspecto visual. “As enxurradas levam esse material para os rios e acabam contaminando a natureza”, afirma.
O produtor rural Vanderlei Luis Schwantes também participou da mobilização e acredita que atitudes simples podem ajudar a mudar esse cenário. “Já ajuda se levar uma sacolinha dentro do carro, jogar o lixo dentro dela e, quando chegar em casa, fazer o descarte correto”, afirma.
Schwantes vive na Linha Maria Preta, em Dionísio Cerqueira, em uma propriedade que está há mais de 40 anos na família e já passou por três gerações. Atualmente, trabalha com produção de leite e mantém cerca de 31 vacas em lactação, além de novilhas de reposição. Para ele, o programa contribuiu para uma nova percepção sobre o espaço onde vive e trabalha. Ferramentas e materiais passaram a ser organizados por setores, facilitando a rotina e melhorando o aproveitamento dos espaços. O local também recebeu melhorias visuais. “Agora enxergamos a propriedade com outros olhos e nos sentimos mais felizes”.
CONHECIMENTO QUE VIRA ATITUDE
Para Marcos Rafael Kaufmann, supervisor de campo da Cooperoeste, a ação demonstrou um dos principais resultados do programa: transformar o conhecimento adquirido em atitudes concretas. “A conscientização precisa sair da sala de aula e chegar à comunidade”.
Na avaliação dele, o recolhimento de lixo foi além da limpeza do trecho da rodovia. “Os participantes não estavam apenas contribuindo para deixar aquele local mais limpo, mas, sim, dando um exemplo para a população”, destaca. Conforme Kaufmann, a Cooperoeste já planeja novas turmas do programa, com a perspectiva de ampliar a capacitação para outros produtores ligados à cadeia produtiva.
O gerente regional do Sebrae/SC no extremo oeste, Udo Martin Trennepohl, salienta que a articulação com a Cooperoeste representa mais um passo importante na missão do Sebrae/SC de fomentar o empreendedorismo rural e impulsionar o desenvolvimento territorial por meio de parcerias institucionais sólidas. A proposta visa unir esforços para promover resultados concretos e duradouros no campo. “Nosso objetivo é aprofundar o entendimento mútuo sobre os desafios e as oportunidades existentes. A proposta é construir um plano de trabalho conjunto que reflita as reais necessidades da cadeia produtiva e traga benefícios concretos às famílias envolvidas”, enfatiza Trennepohl.
Foto: Sebrae/ Divulgação