Participação do município levou a ajustes no projeto e à validação de alternativa que pode gerar até R$ 50 milhões em economia pública

A revisão do projeto de ampliação e modernização do Aeroporto de Chapecó poderá reduzir em aproximadamente R$ 55 milhões os custos estimados com desapropriações. O resultado decorre de alterações no desenho da implantação discutidas com participação da Prefeitura de Chapecó e da escolha de uma nova proposta (cenários em discussão) como alternativa para o projeto conceitual.

A definição ocorreu nesta quarta-feira (23), durante reunião online entre técnicos do Ministério e Secretária de estado de Portos e Aeroportos (SAC/MPor), representantes da Prefeitura e da equipe do LabTrans/UFSC. O projeto inicialmente apresentado considerava limite patrimonial de 1.458.000 m² e necessidade de desapropriação de 775.000 m². Com os ajustes decorrentes dos estudos e da análise dos diferentes cenários, a proposta discutida agora estabelece limite patrimonial de 1.226.000 m² e reduz a área prevista para desapropriação a 505.000 m².

A diferença chega a 270.000 m² na área de desapropriação. No limite patrimonial, a redução é de 232.000 m². Considerando a estimativa apresentada para a economia, o valor associado à área que deixa de ser desapropriada corresponde a cerca de R$ 203,70 por metro quadrado.

O prefeito de Chapecó, Valmor Scolari, destacou a participação do município na definição do projeto e afirmou que a adoção da nova proposta defendida e aprovada representa uma economia de quase 50% nos custos de desapropriação. Segundo ele, a alternativa também reduz o impacto da intervenção sobre a cidade sem alterar as obras físicas consideradas essenciais. O início do projeto básico e a definição do cronograma de obras dependem da emissão da licença ambiental, além da conclusão dos levantamentos topográficos e das investigações geotécnicas complementares.

A mudança para a proposta da Prefeitura, portanto, altera principalmente a dimensão da área necessária para a implantação e os custos estimados de desapropriação, mantendo no projeto as principais intervenções previstas para a modernização do aeroporto.

Com a validação aprovada, caberá ao Município assegurar a manutenção do Projeto Conceitual e o limite patrimonial máximo definido pela alternativa. A Prefeitura também deverá encaminhar o material referente à Superfície de Interesse Público (SIP) nas tratativas com o DECEA.

Novo espaço

A proposta desenvolvida pelo LabTrans/UFSC prevê a modernização da infraestrutura aeroportuária para atender à demanda estimada para 2045, de 933 mil passageiros por ano. Entre as intervenções previstas está a ampliação da pista de pouso e decolagem, dos atuais 2.060 metros para 2.200 metros, permitindo a operação de aeronaves maiores, como o Airbus A321.

Também estão previstos um novo Terminal de Passageiros, com 8.000 m², novas posições no pátio para aviação comercial e geral, edifício-garagem com 754 vagas e estacionamento anexo ao terminal com 97 vagas. O projeto inclui ainda condomínio de hangares de 8.000 m², com 86 vagas exclusivas para a aviação geral.

A estrutura projetada contempla ainda Central de Utilidades (CUT), Central de Resíduos Sólidos (CRS), Casa de Força (KF), Seção Contraincêndio (SCI), guarita e um novo acesso viário integrado à área patrimonial do aeroporto.

A definição da proposta apresentada considerou também as características físicas da área. A topografia acidentada na porção sul exigiu estudos específicos, incluindo levantamento aéreo com drone realizado pela equipe do LabTrans para subsidiar o projeto conceitual.

As análises técnicas apontaram ainda restrições operacionais relacionadas à ampliação da pista. Consulta ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) indicou a necessidade de elevar de 5% para 5,5% o gradiente de decolagem na Cabeceira 12 e de ampliar de 3,2° para 4° o ângulo de aproximação na Cabeceira 30, em razão de obstáculos e das condições do relevo. As alterações são consideradas necessárias para a segurança e a viabilidade das operações, especialmente em relação ao Airbus A321, cuja utilização está em análise pelas companhias aéreas.

Outro levantamento analisou as condições meteorológicas entre 2021 e 2025. Maio e junho concentraram o maior número de horas com restrições de teto e visibilidade, correspondendo a cerca de 4% das horas anuais. A maior parte dessas ocorrências foi registrada entre 5h e 11h, informação que deverá ser considerada no planejamento operacional e na definição dos sistemas de navegação.

Foto: Prefeitura de Chapecó/ Divulgação

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