Encontro da ACIC reuniu experiências de exportação de produtos e serviços e debateu qualificação, presença digital e adaptação a novos mercados

Preparar a empresa, conhecer a realidade dos compradores e construir conexões são passos importantes para transformar oportunidades internacionais em negócios. Esses caminhos estiveram no centro da 12ª edição do Encontro Regional de Comércio Exterior (ERCOEX), realizado na última semana, no Pollen Parque, em Chapecó. Promovido pelo Núcleo de Comércio Exterior e Logística Internacional da Associação Comercial, Industrial, Agronegócio e Serviços de Chapecó (ACIC), o evento teve como tema “Onde conexões se transformam em negócios globais”.

A programação aproximou empresários, profissionais e representantes de instituições para discutir estratégias de internacionalização e compartilhar experiências de empresas que levaram produtos e serviços a outros países. O presidente da ACIC, Carlos Roberto Klaus, ressaltou o potencial econômico regional. “Chapecó e toda a região Oeste têm muito a mostrar ao Brasil e ao mundo”, afirmou. Também comentou sobre a trajetória de 17 anos do Núcleo de Comércio Exterior e Logística Internacional, o quarto mais longevo da entidade, e a contribuição dos núcleos empresariais para aproximar empresas, compartilhar conhecimento e fomentar negócios.

O coordenador do Núcleo de Comércio Exterior e Logística Internacional, Andrei Sander, sublinhou que a realização marcou a retomada do ERCOEX, cuja edição anterior ocorreu em 2015. A iniciativa começou a ser construída na gestão passada e ganhou força com a mobilização dos nucleados, da ACIC, dos patrocinadores e dos parceiros. “Queremos que o ERCOEX volte a ser uma referência em comércio exterior na região, acompanhando a demanda das empresas que estão exportando e buscando a internacionalização”.

O painel “Do mercado local ao global: caminhos para a internacionalização” reuniu o diretor de Relações Internacionais da FACISC, Evaldo Niehues Junior, o coordenador de mercados do Sebrae, Jefferson Reis Bueno, e o representante da Ideal Portas, Álvaro Strada. Com mediação da representante da V&A Negócios Internacionais, Inocência Boita Dalbosco, o debate abordou o apoio institucional, a qualificação e as experiências empresariais no acesso a mercados internacionais. O representante do Sebrae, Jefferson Reis Bueno, destacou a necessidade de desmistificar a exportação, especialmente entre os pequenos negócios. Na avaliação dele, a preparação para atender às exigências internacionais também contribui para tornar a empresa mais competitiva no mercado brasileiro. Jefferson apresentou o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), uma iniciativa prevê qualificar 950 empresas em Santa Catarina ao longo de dois anos, com atendimento subsidiado pelas instituições e acompanhamento de especialistas em comércio exterior.

“O próximo cliente pode estar em qualquer lugar do mundo.” A afirmação de Veridiane Endres, da Vess Digital, sintetizou uma das reflexões do painel “Sua presença digital abre portas para o mundo”, mediado por Fernanda Colatto Guillen, dos Correios.

Veridiane ressaltou que a internet funciona como uma vitrine permanente, capaz de aproximar empresas de compradores de diferentes países. Também defendeu uma comunicação clara, que permita ao público compreender a oferta e identificar se o produto ou serviço atende às suas necessidades.

A experiência de Sabrina do Nascimento, da Soul Consciente Terapias, mostrou como essa presença pode abrir caminhos para pequenos negócios. A empresária relatou que passou a atender brasileiros residentes em países como Estados Unidos, Irlanda, Portugal e Holanda, que encontraram seus serviços principalmente pelo Google e pelo site.

De acordo com Sabrina, a qualificação para exportar ajudou a organizar processos internos e a documentação dos atendimentos internacionais. Com a empresa formalizada há três anos, ela relatou a primeira exportação de serviços documentada e informou que aproximadamente 90% de seus atendimentos ocorrem on-line. O empresário, Tiago Castagna, da Seggna GPS, contou que a empresa nasceu no ambiente digital e destacou a construção de confiança como um dos principais desafios das vendas a distância. Para ele, compreender a necessidade do comprador e orientar a escolha do produto são atitudes essenciais para fortalecer o relacionamento. “É melhor não vender do que vender errado”, frisou.

No painel “Internacionalização na prática: oportunidades e cases de sucesso”, mediado pelo coordenador do núcleo, Andrei Sander, os relatos de Ivornei Piva, da IXC Soft, e Wilson C. Savegnago, da Zetta Pet, evidenciaram aprendizados da atuação internacional.

Piva explicou que a busca por outros países esteve relacionada às oportunidades de crescimento e à diversificação dos riscos da operação. Ao compartilhar experiências na Argentina e na Colômbia, ressaltou que traduzir materiais comerciais não basta: é necessário conhecer os hábitos de compra, preparar a abordagem e adequar as formas de pagamento. Savegnago salientou a importância de desenvolver produtos com perspectiva internacional e envolver a equipe na preparação para novos mercados. Seu relato reforçou que a internacionalização precisa integrar a cultura da empresa, orientando decisões e mobilizando diferentes áreas do negócio.

O quarto painel, “Despachos, Reforma Tributária e Operador OEA”, contou com Auditor-Fiscal da Receita Federal da Receita Federal, Arnaldo Borteze, e abordou o cenário tributário e aduaneiro brasileiro. O debate trouxe informações sobre segurança e eficiência nas operações de comércio exterior, com atenção às mudanças e aos desafios enfrentados pelas empresas.

A programação de conteúdo foi encerrada com um painel dedicado às oportunidades de internacionalização na União Europeia, com Portugal e Romênia como portas estratégicas para empresas brasileiras. O cônsul honorário da Romênia em Santa Catarina, Edson Roberto Dreher, apresentou sua visão sobre o mercado romeno e as possibilidades de negócios no Leste Europeu. O vice-presidente da Câmara de Comércio Brasil-Portugal, Elias Ricardo Tasca, abordou caminhos para acessar os mercados português e europeu. Com mediação do diretor de Comércio Exterior da ACIC, Roque Edson Schoninger, o painel discutiu conexões internacionais, estratégias de entrada e oportunidades para ampliar a presença das empresas na Europa.

Foto: Débora Favretto/MB Comunicação

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