Evento reuniu poder público, Legislativo, universidade e sociedade civil para discutir como inovação, planejamento e participação cidadã podem impulsionar o desenvolvimento

Quando se fala em cidades inteligentes, é comum associar o conceito apenas ao uso de tecnologias. No entanto, essa é apenas uma parte de um modelo muito mais amplo de desenvolvimento urbano. Foi justamente para ampliar essa compreensão que o Observatório Social do Brasil – Unidade Chapecó, em parceria com a Escola do Legislativo da Câmara de Vereadores, Prefeitura de Chapecó, Unochapecó, Associação das Câmaras do Oeste de Santa Catarina (Acamosc) e Pollen Parque Científico e Tecnológico promoveram o evento Cidades Inteligentes: o papel do Poder Público e da sociedade, nesta terça-feira (21), voltado à discussão sobre os desafios e os caminhos para construir uma cidade mais inteligente, sustentável e centrada nas pessoas.
O evento reuniu mais de 100 pessoas, representando os vários setores da sociedade para demonstrar que uma cidade inteligente é construída por meio da integração entre tecnologia, planejamento, inovação, participação cidadã e políticas públicas baseadas em evidências. Para o presidente do Observatório Social de Chapecó, Fernando Ioris, a iniciativa marca um passo importante para aproximar esse debate da sociedade. “Nosso objetivo é que essa discussão não fique restrita ao meio técnico ou político. Queremos envolver a sociedade civil organizada, a academia, o Legislativo e o Executivo para pensar soluções para os desafios atuais e futuros da cidade. Cidades inteligentes significam qualidade de vida para as pessoas”, afirma.
Iniciativas de crescimento
Falar sobre cidades inteligentes envolve áreas como mobilidade urbana, saúde, segurança, sustentabilidade, transparência e planejamento de longo prazo, sempre buscando soluções construídas de forma coletiva. Para a diretora de Modernização Administrativa do Programa Cidades Inteligentes, Kátia Eloisa Bertol, Kátia Bertol, um dos principais objetivos do encontro foi desmistificar a ideia de que cidades inteligentes se resumem à tecnologia. Segundo ela, a tecnologia é uma ferramenta para facilitar a vida das pessoas, ampliar a eficiência dos serviços públicos e fortalecer a transparência da gestão, mas a inovação também acontece por meio de projetos sociais e da construção de políticas públicas que respondam às necessidades da população. “É preciso democratizar esse conceito. Uma cidade inteligente se constrói com o engajamento do cidadão, que precisa participar da criação das políticas públicas. Quando a gestão escuta a população e toma decisões baseadas em informações, ela gera mais confiança e melhores resultados”, descreve.
Kátia destaca que Chapecó já possui diversas iniciativas alinhadas a esse conceito, como os serviços digitais oferecidos pelo portal da prefeitura e pelo aplicativo Chapecó Digital, além de programas como o Mão Amiga, a Cidade do Idoso e o Núcleo de Atendimento aos Animais de Pequeno Porte (NAPA), que representam exemplos de inovação social. Ela também cita projetos em desenvolvimento para integrar sistemas de videomonitoramento, permitindo que as informações geradas auxiliem na tomada de decisões relacionadas à mobilidade, segurança e planejamento urbano. “A tecnologia é o meio. O fim é melhorar a vida do cidadão”, resume.
Participação da sociedade
A participação cidadã também foi apontada como um dos pilares das cidades inteligentes. Para o vereador chapecoense e um dos integrantes da Escola do Legislativo, Wilson Cidrão, eventos como esse fortalecem exatamente esse processo. “Quando falamos em cidades inteligentes, um elemento fundamental é a participação da sociedade. Precisamos construir políticas públicas baseadas em dados, mas também ouvir as pessoas. A inovação acontece quando universidade, governo, empresas e sociedade civil trabalham juntos”, destaca.
Ele ressalta que Chapecó já possui um ecossistema de inovação consolidado e que iniciativas como essa fortalecem a integração entre esses diferentes atores, criando um ambiente favorável ao desenvolvimento do município.
Para o reitor em exercício da Unochapecó, José Alexandre De Toni, antes mesmo da tecnologia, é necessário discutir infraestrutura, mobilidade, conectividade, energia, sustentabilidade e qualidade de vida. “Não adianta pensar apenas em inteligência artificial ou conectividade se não houver infraestrutura adequada. Cidade inteligente também significa pensar nas pessoas, no meio ambiente e em projetos estruturantes que preparem o município para o futuro”, enaltece.