Um atleta de seleção brasileira reforçou a equipe de Tênis de Mesa Paralímpico de Chapecó neste Parajasc e saiu com a esperada medalha de Ouro. Maycon Antônio de Oliveira, natural de Caçador e que cresceu em Fraiburgo, foi convidado a competir por Chapecó pois seus pais se mudaram para a maior cidade do Oeste no início do ano. “Eu competi somente uma vez nos Parajasc, em 2022, por Fraiburgo. Mas como fui morar em São Paulo, para treinar no Centro Paralímpico, ficava difícil visitar a família. Daí eles vieram para cá por causa do aeroporto. E em conversa com o professor Carlos Diavão (um dos coordenadores do paradesporto local), surgiu a oportunidade de disputar os Parajasc. O tênis de mesa daqui é forte e gosto de estar jogando e competindo”, disse Maicon.

Ele nasceu sem as pernas devido a uma má formação congênita. Mas foi o incentivo da família que o levou para o esporte. “Até uns três anos eu andava pelo chão, com o auxílio das mãos, não usava cadeira de rodas. Meu pai me levava com ele no futebol e eu jogava de goleiro. Quando fui para o colégio eu comecei a jogar pingue-pongue e comecei a ganhar de todo mundo. Teve um período em que usei prótese. Até que um professor de Fraiburgo sugeriu que eu jogasse em cadeira de rodas. Aí minha carreira começou a deslanchar. Em 2023 disputei meu primeiro campeonato internacional, na França. Não passei da fase de grupos mas foi uma experiência incrível. Em 2024 conquistei medalhas de Prata na Argentina e no Brasil e, no ano passado, fui Ouro no Parapan-Americano, disputado em São Paulo, e Ouro no Future-23, disputado na Argentina”, explicou Maycon.

Medalhas

Ainda no ano passado conquistou duas medalhas de prata: uma no Challenge Internacional de São Paulo e outra na Copa Brasil, também em São Paulo. Ele também somou três medalhas de Bronze, incluindo uma no Challenge de Dupla Mista em São Paulo e outra no Elite ITTF World, também realizado em São Paulo.

Maycon disse que desde o início lidou bem com sua deficiência. “Como nasci assim me acostumei. Meu pai sempre me incentivou a participar do esporte, no futebol, fiz natação por lazer e somente na adolescência que me senti um pouco inseguro. Mas eu nunca desisti de buscar o que eu queria. E aconselho a quem tem uma deficiência que não se prive de viver o que o esporte pode proporciona por causa de vergonha. Meu sonho era viajar para fora do país e já consegui conhecer nove países por causa do esporte. E hoje vivo do esporte”, disse Maycon.

Ele mora próximo do Centro Paralímpico de São Paulo e vai sozinho para os treinos, em seu carro adaptado. Mas a rotina exige esforço. São 5h a 6h por dia de segunda sexta-feira e às vezes nos sábados. “Eu treino o tênis de mesa, depois faço 1h30 de academia e volto a treinar tênis de mesa. É um esporte que exige muita repetição, pois é muito técnico e mental. Depois dos Parajasc tenho uma competição na França e em seguida o Mundial, na Tailândia, em novembro. Minha meta é disputar a Paralimpíada. Espero estar em Los Angeles, em 2028”, projetou Maycon.

Foto: Prefeitura de Chapecó/ Divulgação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Radio ao vivo