Desde pequena, a mulher se prepara para assumir o papel de mãe. Nas suas brincadeiras com as bonecas, ela repete os cuidados que recebeu e é estimulada a desenvolver uma série de predicados que o grupo social valoriza e rotula de exclusivamente femininos. Aos meninos, a guerra e a luta. Ao viver a realidade adulta e ao gozar a intimidade física do bebê nos nove meses de uma gravidez, ela cada vez mais se capacita de sua importância.

Mas sem perder o seu lugar e seus privilégios, a mãe hoje está certa de que a presença do pai é imprescindível nesse relacionamento. Fortes ligações afetivas podem ser desenvolvidas entre o bebê e a figura paterna, porque o recém-nascido tem capacidade de reagir e captar estímulos de natureza amorosa desde cedo, independentes dos cuidados físicos a ele dispensados. Assim como a mulher sofre transformações psicológicas profundas ao se tornar mãe, com o homem acontece a mesma coisa, embora muitas vezes isso se passe a nível inconsciente. Ele agora terá que repartir, dividir e o que é mais importante, se integrar num novo esquema de vida, principalmente nesses tempos, quando o fato de ser apenas esposa-mãe-dona-de-casa não satisfaz plenamente as exigências femininas. A mulher quer também se realizar profissionalmente, e ao marido caberá uma atuação mais direta na relação com o filho, algumas vezes se tornando uma espécie de duble de mãe.

A própria popularização da psicologia, às vezes tão perigosa com suas soluções muito simplistas, vem concorrendo para uma maior conscientização dos pais, que agora até exigem uma participação mais ativa em todo processo. Eles não se ressentem mais ao cumprir tarefas ditas femininas, e se não podem amamentar os bebês por uma falta de condições fisiológicas, trocam fraldas, dão banho e sabem preparar com carinho uma mamadeira. A mãe tende, às vezes por um excesso de cuidados, a inibir a capacidade exploratória da criança, enquanto o pai parece encorajá-la, trazendo, até mesmo nas suas brincadeiras, um certo elemento de surpresa que se contrapões ao convencionalismo materno.

O modelo masculino é indispensável na formação de uma criança, principalmente para o menino. Mas o que não se pode deixar de observar é que a qualidade desse afeto e atenção que lhe são dispensadas pesa muito na balança. Um pai que tenha contato muito freqüente com o filho, mas carregado de agressividade e pressões, estará dificultando o processo de identificação de sua masculinidade com a criança, enquanto que, se esse mesmo processo trouxer uma carga de afeto bem grande, estará fornecendo elementos indispensáveis para a integração infantil no mundo dos adultos.

Na perda da figura paterna, seja por um problema de desajuste do casal ou pela irremediabilidade do confronto com a morte, que muitos problemas podem ser aliviados através de uma reação positiva da mãe e pela presença de modelos masculinos alternativos, seja um tio ou mesmo um irmão mais velho. Ao contrário da crença tão difundida de que os bem pequenos não sofrem tanto com a separação dos pais, é justamente nos primeiros dois anos de vida, independentemente do sexo da criança, que essa ausência é mais sentida, criando uma grande ansiedade, quando ela tem que se separar da mãe e dificultando o contato com estranhos. Entre seis e nove anos, meninos sem pais poderão apresentar até um baixo rendimento escolar, comparando-se com outros que vivem numa família constituída ou com meninas que também tenham sofrido a mesma perda. Pode inclusive assumir tarefas com a mesma, como ser o responsável, por exemplo, por levar a criança na praça ou no jogo, não apenas em recursos econômicos para a mesma.

O dizer “não” a um filho, não prejudica na educação, pois a criança sabe que o pai ama e que faz algo errado. É fundamental quando se diga “não” manter uma posição firme, explicando para a criança as razões da mesma. As crianças pedem limites, é também uma forma de manifestar afeto. Também é importante que o pai participe da vida do filho na escola, não a presença física todos os dias, o que é inviável, eu diria que o contato e interesse do pai pela escola favorece muito no desenvolvimento do filho. Existem pesquisas que provam que quanto mais próximos estão os dois núcleos família e escola, maior o rendimento cognitivo e emocional da criança na escola.

Na verdade, a auto-estima das crianças está muito ligada ao amor e afeto dos pais, não há mãe, por mais maravilhosa que seja, que consiga suprir a ausência de um componente masculino na formação de um filho.

Por Miriam Cáppua Psicóloga

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