Presença da entidade reforça a importância de políticas públicas para ampliar a produção de alimentos saudáveis e fortalecer a agricultura familiar

A Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense (Apaco) participou na semana passada, em Chapecó, da Oficina de Diagnóstico para a construção do Plano Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica de Santa Catarina (PLEAPO). O encontro faz parte de uma mobilização estadual coordenada pela Comissão da Produção Orgânica de Santa Catarina (CPOrg-SC), em parceria com a Epagri e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O objetivo é elaborar, de forma participativa, um plano que estabeleça diretrizes para fortalecer a agroecologia e a produção orgânica em Santa Catarina.
Embora o Estado possua legislação específica voltada à agroecologia, ainda não conta com um plano estadual que organize ações e políticas públicas para o setor. Segundo levantamento do MAPA, Santa Catarina possui cerca de 1,2 mil produtores agroecológicos, demonstrando o potencial de crescimento da atividade.
A Apaco foi representada pela direção através dos conselheiros Larissa Riboli (Grupo Verde Alegre), Pedro Rocha (Grupo Herança Viva 2) e Marlene Zanrosso (Grupo Cuidar da Terra), e também dos agricultores representantes dos grupos de agroecologia Nicanor de Oliveira (Grupo Verde Alegre); Zelinda de Oliveira (Grupo Verde Alegre); Zelito Cordazzo (Grupo Caminho Alternativo); Gilberto Cordazzo (Grupo Caminho Alternativo); Olidemar Luzzi (Herança Viva 1) e Marigilda Dalarosa (Grupo Seres e Sabores). Também participou a engenheira agrônoma e técnica da entidade, Lucilene de Abreu, que integrou as discussões ao lado de outros agricultores familiares, produtores agroecológicos, cooperativas, técnicos, grupos de agroecologia, pesquisadores e representantes da sociedade civil.
Incentivo a produção
Mais do que incentivar uma forma de produção, a construção do plano busca ampliar o acesso da população a alimentos saudáveis, produzidos com respeito ao meio ambiente, à biodiversidade e às pessoas. A agroecologia promove sistemas produtivos que reduzem o uso de insumos químicos, preservam o solo, a água e as sementes crioulas, além de fortalecer a agricultura familiar, responsável por grande parte dos alimentos que chegam diariamente à mesa dos brasileiros.
Durante a oficina, destaca Lucilene, foram debatidos temas considerados estratégicos para o desenvolvimento da agroecologia no Estado, como a assistência técnica e extensão rural, acesso a mercados, comercialização, organização da produção, políticas públicas, certificação, pesquisa, capacitação e incentivo à permanência das famílias no campo. O diagnóstico construído pelos participantes servirá de base para definir prioridades e ações concretas para os próximos anos.
Para ela, a participação das organizações que atuam diretamente junto às famílias agricultoras é fundamental para que o plano reflita as necessidades reais do campo. “A construção coletiva permite que agricultores, entidades e consumidores contribuam para políticas públicas que fortaleçam a produção agroecológica. Isso significa mais oportunidades para quem produz, mais segurança para quem consome e mais sustentabilidade para o desenvolvimento rural catarinense”, destaca.
As oficinas de diagnóstico estão sendo realizadas em diferentes regiões de Santa Catarina e serão concluídas nesta semana, com mais um encontro na região de Agronômica, reunindo representantes do Alto Vale do Itajaí. Nesta semana, o encontro ocorre, na cidade de Agronômica, nesta quarta-feira (1º). Na sequência, todas as contribuições serão sistematizadas e levadas para a Oficina Estadual de Planejamento, marcada para o dia 21 de agosto, em Florianópolis, quando será elaborada a proposta final do Plano Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica.
Foto: Apaco/ Divulgação