Coordenadora da entidade, Diva Vani Deitos destacou a força da certificação participativa durante evento que reuniu lideranças, agricultores e a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli

A agroecologia como caminho para a soberania alimentar, fortalecimento dos territórios e enfrentamento da emergência climática esteve no centro dos debates do II Encontro Macrorregional Oeste de Agroecologia e do ato de lançamento do 12º Seminário Catarinense de Agroecologia, realizado nesta sexta-feira (08), em Chapecó. O evento reuniu agricultores, lideranças, entidades, movimentos sociais, universidades e representantes do poder público, incluindo a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.
A Apaco esteve presente nas discussões por meio da coordenadora Diva Vani Deitos, que participou da Mesa redonda sobre Desenvolvimento Territorial e Agroecologia, abordando o tema da certificação participativa dentro da Rede Ecovida. Durante sua fala, Diva destacou a trajetória construída pela Rede Ecovida ao longo de 27 anos de atuação nos três estados do Sul do Brasil. Atualmente, a rede reúne aproximadamente 4 mil famílias certificadas, organizadas em núcleos regionais, consolidando um modelo baseado na participação direta dos agricultores, técnicos e consumidores.
“O sistema participativo de garantia é um sistema próprio, organizativo e construído coletivamente. Nós somos a base desse processo”, ressaltou. Diva também reforçou que esse evento é uma preparação para o seminário que ocorrerá em novembro deste ano, além de um debate sobre uma produção agroecológica com um olhar mais atento às propriedades que envolvem gestão, plantio e comercialização.
Certificação participativa de orgânicos
Segundo ela, o Sistema Participativo de Garantia (SPG) fortalece a autonomia dos agricultores familiares e vai muito além da certificação da produção orgânica. O processo considera critérios sociais, ambientais e humanos dentro das propriedades.
Diva lembra que a certificação participativa é um sistema inovador em que os agricultores são protagonistas em sua organização. e que está prevista na Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003 (Lei dos Orgânicos) sendo o marco legal fundamental que dispõe sobre a agricultura orgânica e criação do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SisOrg), reconhecendo o SPG como mecanismo de avaliação da conformidade.
“Quando se visita uma propriedade, também se observa o bem-estar animal, a preservação da água, a reserva legal, se existe violência contra a mulher ou exploração do trabalho. Agroecologia também é cuidar das relações humanas e da vida”, afirmou Diva.
A coordenadora ainda destacou que a Rede Ecovida se tornou referência nacional e internacional em certificação participativa, sendo convidada para apresentar o modelo em diferentes países. Hoje, a articulação integra movimentos latino-americanos de agroecologia e compõe redes com mais de 30 organizações.
Rede catarinense
Em Santa Catarina, existem atualmente 11 núcleos ligados à Rede Ecovida, sendo um deles articulado pela APACO no Oeste Catarinense. O estado possui mais de 1,5 mil famílias certificadas através do sistema participativo.
Além das discussões sobre certificação, o seminário também trouxe reflexões sobre emergência climática, políticas públicas, produção de alimentos saudáveis, desenvolvimento territorial e experiências agroecológicas desenvolvidas na região Sul do Brasil.
Para a Apaco, a participação em espaços como esse fortalece o debate sobre a agroecologia enquanto política de desenvolvimento rural, organização social e permanência das famílias no campo, conectando conhecimento, produção de alimentos e sustentabilidade.
Foto: Filó Comunicação/ Divulgação.