Atividade também integrou visita às propriedades para acompanhar os resultados do Projeto Fitoterápicos

Dois dias de muita conexão, troca de conhecimentos e experiências marcaram a participação de agricultores e produtoras familiares no Projeto Fitoterápicos (BRA/18/G31), uma iniciativa conjunta do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com financiamento do Global Environment Facility (GEF). As ações do projeto tiveram início em 2023, com investimento de R$ 274 mil.
Um dos grupos participantes foi da Associação Pitanga Rosa de Chapecó. Para uma das representantes da direção, Rosalina Nogueira da Silva, a participação das mulheres na iniciativa contribui para novos conhecimentos e também para a geração de renda nas propriedades. “Para nós, participar desse projeto foi muito importante, porque além de aprendermos mais, também conseguimos melhorar a produção, em especial com o tanque de destilação, que ajuda na produção dos óleos e hidrolatos, usando mais plantas e mais variedades”, destaca Rosalina.
Conquistas
Com os recursos do projeto foi possível organizar a cadeia produtiva das plantas medicinais, promovendo capacitação, organização e autonomia para as mulheres envolvidas. Entre as ações realizadas estão a aquisição de um veículo para transporte de insumos, a distribuição de cinco mil mudas de plantas medicinais nativas da Mata Atlântica e a implementação de um padrão próprio de insumos e embalagens para comercialização.
Além disso, foram adquiridos três destiladores semi-industriais elétricos, com capacidade para processar até 100 quilos de planta fresca. Os equipamentos foram destinados à Associação Nacional de Fitoterapeutas, Psicanalistas e Produtores de Florais Populares, Tradicionais e Culturais do Brasil (Seara), à Associação Pitanga Rosa e à Casa de Ervas do Toldo Indígena Chimbangue, em Chapecó.
Fortalecimento das mulheres
A farmacêutica, administradora em projetos de bioeconomia e consultora do PNUD, Luciana Villa Nova, explica que o projeto é uma oportunidade para que os participantes desenvolvam produtos voltados à fitoterapia e à medicina tradicional, ampliando possibilidades de acesso ao mercado.
“Nosso objetivo é conhecer essas iniciativas desenvolvidas em parceria com a APACO e pensar caminhos para o futuro desses projetos. No Brasil, a fitoterapia tem crescido muito e é importante alinhar os conhecimentos dos povos tradicionais, que desenvolvem esses produtos de forma orgânica, para que possam acessar o mercado e contribuir para o desenvolvimento da região, fortalecendo também um polo de bioeconomia”, destaca Luciana.
Para a coordenadora da APACO, Diva Vani Deitos, o momento foi importante para demonstrar o potencial de crescimento sustentável e de geração de renda a partir da iniciativa. Atualmente, os grupos participantes produzem hidrolatos, óleos essenciais e florais a partir das plantas cultivadas.
“O grande desafio agora é avançar na questão da legislação e da legalização desses produtos, além de fortalecer a organização dos grupos para viabilizar o negócio dos pequenos produtores. O objetivo é manter e ampliar o cultivo das plantas medicinais, fortalecer a produção de fitoterápicos e incentivar também a participação de jovens nesse processo”, ressalta Diva. No mês de maio, os grupos participantes apresentaram as demandas e perspectivas do projeto ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Foto: APACO / Filó Comunicação / Divulgação