No Dia Mundial da Obesidade, médico destaca que o tratamento vai além da estética e envolve diagnóstico correto, equipe multidisciplinar e decisão de mudança

A obesidade é reconhecida como uma doença crônica, progressiva, multifatorial e um dos maiores desafios de saúde pública mundial. No Brasil, cerca de 68% da população é acometida pelo excesso de peso e, destes, aproximadamente 28% são considerados obesos.

Além da obesidade, fatores hormonais, metabólicos, genéticos, emocionais e ambientais estão associados ao desenvolvimento da doença, o que pode desencadear outras condições, como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, apneia do sono, esteatose hepática, dores articulares incapacitantes e aumento do risco cardiovascular. No Dia Mundial da Obesidade, lembrado em 4 de março, o objetivo é informar a população sobre os impactos da doença e apresentar caminhos possíveis para o tratamento.
“A obesidade é um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. Ela é uma doença crônica, progressiva, recidivante e multifatorial. E é amplamente tratável por meio de intervenções, sendo a cirurgia bariátrica uma das melhores ferramentas”, enfatiza o especialista em cirurgia bariátrica e hiperidrose, Dr. João Baroncello.

Indicação

O tratamento inicia com diagnóstico clínico adequado, realizado por equipe multidisciplinar, incluindo avaliação do IMC, investigação de comorbidades associadas e análise metabólica e comportamental. Em casos mais avançados, a indicação pode ser a cirurgia bariátrica.
Atualmente, com a Resolução nº 2.429/2025 do Conselho Federal de Medicina, explica o Dr. João, houve modificações nos critérios, e o procedimento pode ser realizado em pacientes com IMC entre 30 e 35, desde que apresentem doenças associadas, como diabetes tipo 2, doença cardiovascular grave, doença renal, apneia do sono, fibrose hepática ou refluxo gastroesofágico com indicação cirúrgica.
O médico explica que a cirurgia bariátrica é considerada hoje a ferramenta mais eficaz para perda de peso em casos indicados, porém não atua isoladamente. “A cirurgia é a melhor ferramenta para perda de peso, mas não funciona sozinha. Precisa ser acompanhada de mudanças de atitude e de acompanhamento com equipe multidisciplinar, pois muitas transformações exigirão disciplina, seja na alimentação ou na prática de atividade física.”

Ele reforça que o processo começa antes mesmo do procedimento cirúrgico. “Tudo começa na decisão de querer mudar para ter mais qualidade de vida. E começa com o diagnóstico correto e com alterações no dia a dia, prática de atividade física, acompanhamento psicológico e acompanhamento nutricional.”
O tratamento envolve a atuação de diversos profissionais além do cirurgião, como psicólogos, nutricionistas e educadores físicos, que contribuem nesse processo com o objetivo de ajudar a pessoa a viver melhor. O Dr. João lembra que a cirurgia bariátrica não é um procedimento estético, mas uma ferramenta importante para a qualidade de vida.

“A bariátrica não é ‘cirurgia para ficar magra’. É cirurgia para reduzir risco e devolver vida”, destaca. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina reconhece diversas técnicas cirúrgicas. As mais recomendadas atualmente são o Bypass em Y de Roux e a Gastrectomia Vertical (Sleeve Gástrico). Outros procedimentos, como o bypass gástrico com anastomose única ou a gastrectomia vertical com anastomose duodeno-ileal, podem ser utilizados conforme as particularidades de cada paciente.

Fotos: Canva/ Divulgação

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