Paraibano é investigado por exploração de menores na internet

O influenciador paraibano Hytalo Santos e seu marido, Israel Nata Vicente, foram presos nesta sexta-feira (15) na região de São Paulo. Hytalo é alvo de duas investigações do Ministério Público da Paraíba (MP/PB), que apuram suspeitas de exploração de crianças e adolescentes, além de trabalho infantil, iniciadas em dezembro de 2024. O caso ganhou repercussão após viralizar um vídeo do youtuber Felca, que denunciou práticas de “adultização” de menores em conteúdos digitais produzidos pelo influenciador.
O pedido de prisão foi feito pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado) do MP/PB. Na última terça-feira (12), a Justiça da Paraíba determinou liminarmente a suspensão dos perfis de Hytalo nas redes sociais, a interrupção da monetização de seus canais e a proibição de contato com menores de idade que moram com ele. Na quarta-feira (13), a residência do influenciador, em um condomínio de luxo em João Pessoa, foi alvo de mandado de busca e apreensão.
O Ministério Público ajuizou ação civil pública após Felca divulgar, em vídeo de 50 minutos, que Hytalo utilizava crianças e adolescentes para gerar engajamento e lucro em suas redes sociais, promovendo situações de “adultização”. Além das medidas cautelares, ele também é investigado por expor menores a conteúdos com conotação sexual.
O youtuber criticou principalmente os “reality shows” produzidos por Hytalo, nos quais menores apareciam em vídeos com cenas de namoros, danças e roupas sexualizadas. Um dos casos mais comentados envolve a adolescente Kamylinha Silva, que aparecia nos conteúdos desde os 12 anos. Este ano, Kamylinha, agora com 17 anos, anunciou gravidez do irmão de Hytalo, Hyago Santos, e posteriormente relatou ter sofrido um aborto espontâneo.
O caso provocou reação imediata do Congresso Nacional, que recebeu mais de 30 projetos de lei em menos de uma semana para aumentar a proteção de crianças e adolescentes na internet. Entre os textos apresentados, destaca-se o PL 2.628/22, de autoria do senador Alessandro Vieira, que prevê que empresas de redes sociais adotem mecanismos para evitar conteúdos sexualizados envolvendo menores, sob pena de multa de até 10% do faturamento. O governo federal também anunciou que o presidente Lula deve enviar em breve projeto para regulamentar as big techs no país.