Escritório do Departamento de Estado reage nas redes sociais e fala em “ditadura judicial” no Brasil

O governo dos Estados Unidos, ligado ao ex-presidente Donald Trump, criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Por meio das redes sociais, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao Departamento de Estado norte-americano, afirmou que responsabilizará quem colaborar com o que chamou de “condutas sancionadas”.
A manifestação foi publicada após Bolsonaro descumprir medida cautelar imposta pelo STF ao se manifestar pelas redes do filho, senador Flávio Bolsonaro, durante atos realizados no domingo (3). Segundo Moraes, houve reincidência no uso de perfis de terceiros para se comunicar com apoiadores, o que motivou a nova medida judicial.
Nesta terça-feira (5), o funcionário do Departamento de Estado, Cristopher Landau, também se manifestou nas redes sociais. Para ele, Moraes estaria conduzindo o país a uma “ditadura judicial”, em referência à obra de George Orwell.
As declarações provocaram reações no Brasil. O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), classificou a intervenção como “inaceitável” e afirmou que o país não aceitará pressão internacional. “A independência conquistada em 1822 não será revogada por sanções ideológicas articuladas por Eduardo Bolsonaro e seus aliados no exterior”, escreveu.
Bolsonaro é investigado no Supremo por suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo a denúncia, ele pressionou comandos militares a suspender o pleito, além de planejar atos contra autoridades públicas. A Procuradoria-Geral da República também investiga o envio de recursos para sustentar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o deputado está licenciado.
Na decisão que impôs a prisão domiciliar, Moraes justificou que a Justiça não aceitará que um réu “descumpra medidas deliberadamente” sem consequências. Já a defesa de Bolsonaro afirmou que a decisão os surpreendeu e que irá recorrer. Segundo os advogados, a fala divulgada por Flávio Bolsonaro não configura quebra de medida cautelar.