Renda real subiu 5% em 2025 e chegou a R$ 3.613, um recorde na série histórica medida pelo IBGE

A renda média real do brasileiro subiu 5% em 2025 e chegou a R$ 3.613, batendo mais um recorde. Dados que mostram o cenário do mercado de trabalho apontam que o Brasil segue com taxa de desemprego baixa, de 5,4%, redução da ociosidade com taxa de subutilização em 13,4% e aumento expressivo da renda.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Rodolfo Margato, economista da XP, destaca que a taxa de desemprego segue oscilando em patamares historicamente baixos e que a população ocupada cresceu pelo segundo mês consecutivo, mostrando um mercado de trabalho resiliente. “A taxa de desemprego corrente permanece significativamente abaixo do seu nível neutro, quadro que dificilmente será revertido no curto prazo”, avalia.
Assim, a tendência é que, embora os números possam sofrer recuo nos próximos meses, o emprego aquecido e a renda em alta devem sustentar a atividade econômica ao longo de 2026 – um desafio a mais para a política monetária.Para Rafael Perez, economista da Suno Research, o ambiente de elevada demanda por trabalho, baixo desemprego, escassez de trabalhadores em alguns setores e aumento real do salário mínimo explicam o forte aumento dos rendimentos do trabalho em 2025.
Quadro do emprego
Margato destaca que os números da PNAD mostraram um recuo marginal na taxa de desemprego, que era de 5,2% em novembro e fechou em 5,1% em dezembro. No trimestre móvel, o indicador cedeu de 5,5% para 5,4%. A população ocupada chegou a 102,4 milhões de pessoas, uma alta de 1,1% em relação a dezembro de 2024.
O emprego formal cresceu 3,5% em 2025 e o informal encolheu 0,4% no ano. Já o indicador de “trabalhadores por conta própria” veio acima do esperado, com forte alta de 9,1% no ano.
‘Gig Economy’ e benefícios sociais impactam dados
Para Perez, há uma combinação de fatores atuando nos indicadores do mercado de trabalho. Ele destaca as mudanças demográficas na população, ou seja, com menores taxas de natalidade, o ritmo de crescimento da força de trabalho também diminui.
Ele vê também uma pressão da expansão do trabalho associado a plataformas de transporte e entregas, conhecido como Gig Economy, que se refere aos trabalhos flexíveis e sem vínculo empregatício.
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