Vereadores homenageiam cinco histórias que refletem o espírito de Irmã Pierângela


Honrar quem cuida da infância e da juventude é reconhecer quem planta o futuro com dedicação, amor e coragem para transformar realidades. Foi com esse propósito que a Câmara Municipal de Chapecó realizou, na noite desta quinta-feira (10), a primeira edição da sessão solene de entrega da Comenda Irmã Pierângela — uma homenagem a pessoas que atuam de forma expressiva na defesa e promoção dos direitos das crianças e adolescentes no município.
A cerimônia foi realizada no Plenário Rivadávia Scheffer e transmitida ao vivo pelos canais oficiais da Câmara no YouTube e Instagram. A medalha, instituída pela Resolução nº 02/2025, foi entregue a cinco personalidades indicadas pela sociedade civil, por meio do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).
A comenda leva o nome da religiosa Irmã Pierângela Spagnol, símbolo do cuidado com os mais vulneráveis, especialmente com a infância. Atuando como enfermeira, educadora e articuladora de políticas sociais no bairro São Pedro entre as décadas de 1970 e 1980, ela deixou um legado de solidariedade, fé e compromisso social. A honraria será concedida anualmente, sempre no mês de julho.
Na abertura da solenidade, o presidente da Câmara, vereador Claimar de Conto (Progressistas), destacou a importância de reconhecer histórias que fazem a diferença.
“Chapecó é uma cidade marcada pela solidariedade. Homenagear essas cinco pessoas é reconhecer que ações individuais e coletivas têm poder de mudar vidas e construir um futuro mais justo para nossas crianças e adolescentes.”
Autor da proposta que criou a comenda, o vereador Cesar Valduga (PCdoB) enalteceu o exemplo deixado por Irmã Pierângela.
“Ela foi uma mulher à frente do seu tempo, que compreendia que cuidar das crianças era cuidar da sociedade. Celebramos esse espírito de doação presente em cada homenageado desta noite.”
Falando em nome dos agraciados, Maria Cristina Cansian Zandavalli relembrou sua convivência com Irmã Pierângela e os desafios enfrentados em sua trajetória.
“Receber essa medalha tem um significado profundo. Revivo aqui memórias de trabalho, de fé e de esperança. Que possamos seguir unidos por um mundo mais justo e humano para nossas crianças e jovens.”
Homenageados de 2025
🔹 Maria Cristina Cansian Zandavalli – Atuou voluntariamente por mais de duas décadas em projetos sociais com Irmã Pierângela, contribuindo para a criação da primeira creche no bairro São Pedro. Também foi voluntária da Rede Feminina de Combate ao Câncer por 20 anos.
🔹 Maria Rampel Leite – Fundadora da Associação Maria Leite, que atende atualmente 180 crianças e adolescentes com atividades esportivas no distrito de Marechal Bormann. Seu trabalho começou de forma espontânea, motivado pelo pedido do filho mais novo.
🔹 Marloiva de Fátima Goulart – Conselheira tutelar desde 2002, tem trajetória marcada pela defesa dos direitos das crianças e adolescentes, com atuação ética e empática na rede de proteção social.
🔹 Rosa Maria Cominetti – Professora da Unochapecó e coordenadora do projeto Literatório há mais de 20 anos, desenvolvendo ações de incentivo à leitura e formação de leitores em escolas públicas e privadas. Também atua na formação de professores indígenas.
🔹 Odair Balen – Coordenador do Programa Verde Vida, ONG que atua em bairro com alta vulnerabilidade social. Deixou a carreira bancária para se dedicar ao trabalho social, com foco na profissionalização e inclusão de adolescentes.
Quem foi Irmã Pierângela
Anna Maria Spagnol, conhecida como Irmã Pierângela, nasceu em 1º de agosto de 1933, na província de Pordenone, na Itália. Ingressou na Congregação das Irmãs Franciscanas de Cristo Rei e chegou a Chapecó em 1969, a convite do bispo Dom Wilson Laus Schmidt, para apoiar o trabalho já iniciado pelas irmãs franciscanas missionárias de Maria Auxiliadora.
No bairro São Pedro, liderou ações sociais e de saúde que beneficiaram inúmeras famílias em situação de vulnerabilidade. Atuou como enfermeira, educadora e articuladora de políticas públicas em tempos de extrema carência, enfrentando altos índices de desnutrição, analfabetismo e prostituição infantojuvenil. Trabalhou pela capacitação de famílias e na promoção da cidadania.
Faleceu em 2021, na Itália, na casa de acolhida das Irmãs Franciscanas. Sua memória permanece viva por meio da comenda que agora carrega seu nome, inspirando novas gerações a continuar sua missão de amor e cuidado com os mais vulneráveis.